quarta-feira, 30 de julho de 2014

Crédito a estaleiros pode ficar restrito, sem novos pedidos.

 

Empresários da construção naval estão preocupados com a possibilidade de uma eventual mudança na política de conteúdo nacional do setor uma vez que a Petrobras tem pressa no desenvolvimento de novos campos de petróleo no pré-sal. A companhia, segundo pessoas do setor, tem dado sinais seguidos de que pode colocar mais encomendas no exterior. "Já era, desde 2013, para ter mais encomendas da Petrobras para o setor, o que não tem se confirmado e preocupa, sobretudo em relação ao futuro, à continuidade da indústria", disse um executivo.

Em nota, a estatal negou que haja esse risco: "A Petrobras destaca que possui uma carteira de empreendimentos que irá garantir a demanda dos estaleiros nacionais para os próximos anos. A Petrobras entende como diferencial possuir uma indústria fornecedora capacitada e competitiva próxima às suas operações." A empresa também informou que vai continuar a demandar a indústria naval nacional com "exigência de conteúdo local".

O receio do estaleiros é que a falta de perspectivas de novas encomendas leve o sistema financeiro a restringir o crédito. Uma das principais fontes de financiamento para o setor é o Fundo da Marinha Mercante (FMM). Mas os estaleiros dependem também de capital de giro: "Já está havendo perda de capital de giro no nosso segmento", disse uma fonte.

O Estaleiro Rio Grande (ERG, controlado pela Engevix Construções Oceânicas (Ecovix), passa por momento de desafios. A Ecovix tem 30% de seu capital em mãos de consórcio japonês com participação da Mitsubishi Heavy Industries (MHI). No total, o ERG tem contrato de US$ 3,5 bilhões para construir para a Petrobras oito cascos de plataformas. Essas plataformas (P-66 até P-73) serão instaladas nas áreas de Lula e Iara, no pré-sal da Bacia de Santos.

O atraso de mais de um ano na construção da P-55, feita no ERG por outra empresa, levou a Ecovix a ter que recuperar prazos. E uma maneira de fazer isso foi "importar" mais serviços do exterior. 

A P-66 está em fase final de montagem em Rio Grande. Mas parte do casco da P-67, que está no ERG sendo montada, foi feita no estaleiro da Cosco, na China. A P-68 também terá parte do casco feita pelos chineses. Os módulos de acomodação e os de geração de energia para as oito plataformas também foram encomendados na China. A previsão é que a última das plataformas seja entregue no fim de 2016, com atraso sobre o cronograma original.

A Petrobras afirmou: "Em alguns dos projetos, a fim de garantir o cumprimento dos prazos acordados com a Petrobras, as empresas fornecedoras podem alterar a estratégia de condução das obras, inclusive com a subcontratação de produtos ou serviços no exterior, desde que devidamente acordado e autorizado pela Petrobras. Porém, essas alterações não implicam no descumprimento dos índices de conteúdo local acordados com a ANP [Agência Nacional do Petróleo], uma vez que grande parte dos serviços será executada nos estaleiros nacionais." A estatal não foi clara sobre a possibilidade de colocar novos serviços na China, a partir de 2014: "Eventuais transferências adicionais de escopo são analisadas, caso a caso, pela Petrobras, considerando os índices de conteúdo local e as datas de primeiro óleo estabelecidas no plano de negócios da companhia."

O ERG tem também contratos de US$ 2,4 bilhões para construir três sondas de perfuração encomendadas pela empresa Sete Brasil e que vão operar para a Petrobras. Uma parte do casco de uma das sondas está sendo feito na China. Já o Estaleiro Enseada Indústria Naval, em construção em Maragojipe (BA), está fazendo o primeiro casco das seis sondas que vai construir para a Sete Brasil no estaleiro da Kawasaki, no Japão.

O Enseada, controlado por Odebrecht, OAS e UTC, além da própria Kawasaki, que tem 30% do negócio, arrendou canteiro de obras existente ao lado do estaleiro onde está construindo módulos para a primeira sonda, batizada de Ondina. O contrato do Enseada para a construção das seis sondas soma US$ 4,8 bilhões. Parte do casco da segunda sonda também será feita no Japão, mas a partir da terceira unidade a expectativa é que os serviços sejam executados no Brasil. Para compensar a "importação" do Japão, o Enseada encomendou no Brasil itens que pretendia fazer no exterior, como o módulo de acomodação da primeira sonda.

A Petrobras afirmou: "A estratégia original [do Enseada] já contemplava que as frentes de obras de construção do estaleiro iriam conviver em paralelo com as obras de construção das sondas. Atualmente as obras de construção do estaleiro encontram-se com avanço superior a 75%."

Outro contrato do Enseada, a conversão de quatro cascos da cessão onerosa (P-74, P-75, P-76 e P-77) para a Petrobras, enfrentou desafio semelhante. Para três deles, há serviços sendo feitos no estaleiro da Cosco, na China. A Petrobras reconheceu que foi preciso mudar os trabalhos: "A alteração no planejamento inicial se deu por força dos serviços de revitalização do estaleiro Inhaúma [no Rio], em função da recuperação dos dois cais e da ocupação do dique seco [do estaleiro] pela P-74. Os prazos dos projetos estão mantidos."

A estatal afirmou que as fases de engenharia e suprimento das três sondas do ERG estão em estágio avançado e já existem contratos com os fornecedores "críticos". As atividades de construção das sondas do ERG estão em fase inicial. A companhia acrescentou: "É responsabilidade da Ecovix a definição da estratégia de condução e subcontratação do escopo, respeitando os conteúdos locais contratuais estabelecidos que, no caso das três sondas, situa-se na faixa de 55% a 60%." A Petrobras disse acreditar que os investimentos nos estaleiros ainda precisam de tempo para mostrar resultados.

Fonte: Valor Econômico

segunda-feira, 21 de abril de 2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

Acidentes ameaçam metas de petróleo e gás da Petrobras em 2014

Empresa contratada pela estatal deixou cair um tubo de aço de 2,3 quilômetros no Oceano Atlântico em março

Petrobras vai perder dezenas de milhões de dólares em produção de petróleo com o acidente

 

"A série de problemas de gestão e de engenharia que a empresa enfrenta é espantosa", disse o professor e pesquisador do Instituto Brasileiro do Petróleo na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Cleveland Jones.

"Esse pode ter sido um acidente infeliz, mas ocorre quando os problemas organizacionais da empresa estão se tornando mais evidentes."

A produção de petróleo e gás da Petrobras em fevereiro voltou a cair em relação ao ano anterior — há mais de cinco anos a extração da estatal está estagnada.

Essa situação está consumindo a receita da Petrobras e contribuindo para elevar sua dívida. Apesar de ter um plano de investimento de US$ 221 bilhões em cinco anos, a empresa tem tido pouco sucesso em fazer com que as novas descobertas marítimas gigantes resultem em aumento de produção.

A Petrobras informou em fevereiro que planeja aumentar a produção no Brasil entre 6,5% e 8,5%, para até 2,07 milhões de barris por dia (bpd), em 2014. Isso seria o seu primeiro ganho anual desde 2011.

Com a produção dos campos mais antigos em queda, os atrasos com novos campos poderiam trazer risco a essa meta. Entre as grandes petroleiras, a empresa já é a mais endividada e menos rentável do mundo.

A Petrobras vai ter mais dificuldade para financiar seus planos de investimento e pagar os retornos aos investidores, sem um aumento da produção.

O governo brasileiro, principal acionista da empresa, também precisa da produção para ajudar a custear um grande aumento de investimento em programas de educação e de saúde.

A Petrobras disse que o acidente não vai afetar os esforços para aumentar a produção no campo de Roncador.

A nova tubulação, do estoque atual da Petrobras, será entregue à Saipem, acrescentou a empresa. A Saipem não quis comentar.

De outro modo, levaria cerca de seis meses para a encomenda e fabricação de uma peça substituta. O tubo perdido era para ligar a plataforma a um oleoduto no fundo do mar.

Polo naval de Rio Grande deve ter novas contratações somente em setembro de 2014

Admissões foram adiadas por cinco meses, e chegada de cascos deve atrasar ainda mais!!!

Polo naval de Rio Grande deve ter novas contratações somente em setembro Marcio Gandra/Especial

Na Quip, catracas foram desativadas em função do número menor de trabalhadores.

Ao zarpar do polo naval de Rio Grande, no sul do Estado, para operar na Bacia de Campos, em 4 de dezembro passado, a plataforma P-58 deixou uma lacuna no índice de emprego, com a rescisão do contrato de mais de 5 mil trabalhadores. As demissões, à época não causaram pânico: a expectativa era de que houvesse nova leva de contratações em quatro meses, mas agora a perspectiva é de que a espera se estenda até o final do ano.

No Estaleiro Rio Grande, onde opera a Ecovix/Engevix, cerca de 7,5 mil funcionários trabalham na construção de oito cascos fabricados em série — chamados de "replicantes" — que precisam ser entregues à Petrobras até 2016. Fontes da empresa asseguram que o cronograma está sendo cumprido.

As mudanças alcançaram a empresa pioneira na cidade: o consórcio Quip, formado por quatro grupos, virou QGI Brasil. A nova marca ainda não foi lançada oficialmente, mas já há até esboços do logotipo. De Queiroz Galvão, Iesa, UTC Engenharia e Camargo Corrêa, só sobraram os dois primeiros, e o segundo enfrenta problemas financeiros.

O número de trabalhadores também minguou: do pico de 12 mil no início do ano passado, quando havia três obras simultâneas — as plataformas P-63, P-58 e P-55 —, sobraram apenas 400 vinculados às áreas administrativa e de manutenção. Mais de 6 mil deveriam começar a engordar esse número a partir de abril, quando teriam início os preparativos para a construção das plataformas P-75 e P-77. Mas as admissões ficaram para setembro. Muitos operários que esperavam ficar em Rio Grande à espera de novas vagas já estão desistindo.

— Temos gente aqui que optou por trabalhar no comércio para poder se sustentar até que as contratações recomecem — relata Benito Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande, que atribui aos problemas no polo a crise hipertensiva que lhe rendeu um infarto durante as mobilizações da categoria.

Trabalhadores buscam alternativas para sobreviver

Fabiane da Hora, 32 anos, era uma dos 24 mil filiados ao sindicato dos metalúrgicos ano passado, número que atualmente está abaixo de 10 mil. Há dois anos, ela chegou de Santo Amaro, interior da Bahia, em busca de oportunidades de trabalho. Com a rescisão do contrato como soldadora, ela se recusa a procurar alternativa de renda em outras áreas que não a da profissão que escolheu e com a qual, pelo menos até então, estava satisfeita. Decidiu ir embora de Rio Grande.

— Estou de mãos atadas, sou obrigada a ir para casa. Já acabou o que eu tinha de reserva para me manter aqui, nesta cidade que está cara demais — afirma, completando que paga, mensalmente, "uma grana preta" de aluguel em um apartamento no bairro Cidade Nova, a 10 minutos do Centro, sem informar a quantia.

De acordo com Pedro Gomes da Silva Neto, dono de uma das maiores imobiliárias da cidade, o preço mensal dos aluguéis chegou a dobrar em dois anos, devido à expansão do polo naval. Nos últimos meses esses valores estariam baixando muito devido à evasão dos operários:

— Antes, tínhamos disputa por um apartamento de dois quartos por R$ 2,8 mil por mês. Hoje, o aluguel desse mesmo apartamento está em R$ 1,8 mil e não há interessados.

Afora a insatisfação dos metalúrgicos e a queda de pelo menos 30% no número de passageiros no transporte público, a desmobilização não chega a trazer impacto à rede hoteleira, que não observou queda no movimento, ou ao comércio. Conforme o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Rio Grande, Renato Lima, entre março de 2013 e o mês passado houve redução de apenas 5% nas consultas à crediário no comércio.

Efeito cascata

Desde que interrompeu os trabalhos por falta de pagamento aos funcionários do polo naval de Charqueadas, a Iesa Óleo e Gás teria atrasado a entrega de oito dos 24 módulos que serão utilizados para equipar os cascos que estão sendo construídos em série no Estaleiro Rio Grande. Fontes do setor naval na cidade afirmam que o polo só corre risco de enfrentar problemas mais graves caso a Petrobras cancele parte ou todos os investimentos.

Em nota, a estatal afirmou que está "tomando ações para mitigar o atraso da construção dos módulos e que não existe risco de suspender as construções no Estado". A Iesa é sócia minoritária da nova QGI. Se a situação da empresa se complicar e for preciso deixar o consórcio, a hipótese mais provável é que a Queiroz Galvão cubra sua participação.

As estruturas para as obras no estaleiro da QGI devem chegar no segundo semestre. Os cascos, vindos da China, a partir de 2015. Conforme a Petrobras, a previsão para a chegada da P-75 em Rio Grande é no segundo semestre do próximo ano, e a P-77, nos primeiros meses de 2017.

Fonte: Zero Hora

segunda-feira, 7 de abril de 2014

PETROBRAS DIVULGA NOTA SOBRE A PLATAFORMA P-55

Companhia destaca que os dutos danificados já foram substituídos por outros disponíveis em estoque

A Petrobras, através de comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), divulgou nota de esclarecimento sobre a Plataforma P-55.

A plataforma, que no último dia 16 de março, durante o processo de lançamento  do primeiro de um dos dois oleodutos definitivos de escoamento de petróleo e instalada no campo de Roncador, na Bacia de Campos, teve rompimento em um cabo de aço interligado ao guincho da embarcação de lançamento FDS, da empresa Saipem, com a queda de parte da tubulação no solo marinho.

A companhia destaca que os dutos danificados já foram substituídos por outros disponíveis em estoque e adquiridos para o lançamento do segundo oleoduto da P-55. O lançamento do primeiro oleoduto ocorrerá ainda neste mês.

A companhia informa, ainda, que novos dutos estão em processo de aquisição para reporem aqueles que  estavam destinados ao segundo oleoduto.

Não haverá impacto na instalação do segundo oleoduto, que já estava programada para o segundo semestre de 2014.

O escoamento de petróleo nesta fase atual do projeto é realizado por oleoduto já instalado até a plataforma P-54, como originalmente previsto. Esse duto será substituído quando forem instalados os dois oleodutos definitivos.

É importante destacar que não há impacto na produção do campo de Roncador. A plataforma P-55 entrou em operação em dezembro de 2013 e todos os poços do sistema entrarão em produção ainda em 2014.

O escoamento de petróleo nesta fase atual do projeto é realizado por oleoduto já instalado até a plataforma P-54, como originalmente previsto. Esse duto será substituído quando forem instalados os dois oleodutos definitivos.

É importante destacar que não há impacto na produção do campo de Roncador. A plataforma P-55 entrou em operação em dezembro de 2013 e todos os poços do sistema entrarão em produção ainda em 2014.

Agência Último Instante